Colégio Estadual Leonardo Francisco Nogueira – EMNP
A finalidade primeira da página será hospedar todas as manifestações culturais e artísticas do Colégio Estadual Leonardo Francisco Nogueira, das quais serão realizadas espontaneamente; porém, de forma consciente, pelos alunos que aqui frequentam. Contudo, nada impede, que nosso objetivo ultrapasse as fronteiras educacionais a fim de abranger todas as instâncias artísticas de nossa comunidade, região ou nação.
Por conseguinte, iniciamos nossas abordagens culturais e artísticas partindo da abordagem sobre a poesia de Vinícius de Moraes, cujas composições retratam a plenitude dos sentidos, do amor e da vida cotidiana, numa linguagem lírica e envolvente. Além disso, abordamos ainda o folclore brasileiro, fazendo, portanto, um recorte sobre as manifestações folclóricas do Estado do Mato Grosso do Sul, objetivando, dessa maneira, resgatar os costumes, o modo de viver e de sentir das gentes que popularizaram a cultura cotidiana em prol de suas manifestações artísticas.
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
domingo, 11 de agosto de 2013
SONETO DO AMIGO
Vinícius de Moraes
Tantas retaliações, tanto perigo
Eis que ressurge noutro o velho amigo
Nunca perdido, sempre reencontrado.
É bom sentá-lo novamente ao lado
Com olhos que contêm o olhar antigo
Sempre comigo um pouco atribulado
E como sempre singular comigo.
Um bicho igual a mim, simples e humano
Sabendo se mover e comover
E a disfarçar com o meu próprio engano.
O amigo: um ser que a vida não explica
Que só se vai ao ver outro nascer
E o espelho de minha alma multiplica...
sábado, 10 de agosto de 2013
AS BORBOLETAS - VI FEIRA DO LIVRO - VINÍCIUS DE MORAES E FOLCLORE MATO GROSSO DO SUL - CELFN
Vinicius de Moraes
Brancas
Azuis
Amarelas
E pretas
Brincam
Na luz
As belas
Borboletas.
Borboletas brancas
São alegres e francas.
Borboletas azuis
Gostam de muita luz.
As amarelinhas
São tão bonitinhas!
E as pretas, então
Oh, que escuridão!
PELA LUZ DOS OLHOS TEUS - VI FEIRA DO LIVRO - VINÍCIUS DE MORAES E FOLCLORE MATO GROSSO DO SUL - CELFN
Vinícius de Moraes
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
O GATO - VI FEIRA DO LIVRO - VINÍCIUS DE MORAES E FOLCLORE MATO GROSSO DO SUL - CELFN
Vinicius de Moraes
Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
Se num novelo
Fica enroscado
Ouriça o pêlo, mal-humorado
Um preguiçoso é o que ele é
E gosta muito de cafuné
Com um lindo salto
Leve e seguro
O gato passa
Do chão ao muro
Logo mudando
De opinião
Passa de novo
Do muro ao chão
E pisa e passa
Cuidadoso, de mansinho
Pega e corre, silencioso
Atrás de um pobre passarinho
E logo pára
Como assombrado
Depois dispara
Pula de lado
E quando à noite vem a fadiga
Toma seu banho
Passando a língua pela barriga.
GAROTA DE IPANEMA - VI FEIRA DO LIVRO - VINÍCIUS DE MORAES E FOLCLORE MATO GROSSO DO SUL - CELFN
Vinicius de Moraes
Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça
É ela menina que vem e que passa
Num doce balanço, caminho do mar
Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar
Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor.
IN 'PROCURA-SE UMA ROSA' - VI FEIRA DO LIVRO - VINÍCIUS DE MORAES E FOLCLORE MATO GROSSO DO SUL - CELFN
"Silêncio, silêncio
Que melancolia
Perdeu-se uma rosa
De dia, de dia.
Tristeza, tristeza
Que vida vazia
Perdeu-se uma rosa
Quem a encontraria?
Como era formosa
Que pele macia
Perdeu-se uma rosa
Morreu a poesia.
Ó rosa da aurora
Ó rosa do dia
Só a noite escura
Te receberia.
Se virem a rosa
Na sua agonia
Ó digam à bela
À rosa macia
Que a vida sem ela
Não tem alegria."
A MULHER E O SIGNO - VI FEIRA DO LIVRO - VINÍCIUS DE MORAES E FOLCLORE MATO GROSSO DO SUL - CELFN
FAUNA MATO GROSSO DO SUL - VI FEIRA DO LIVRO - VINÍCIUS DE MORAES E FOLCLORE MATO GROSSO DO SUL - CELFN
Edson Amorim
As Garças brancas são cheias de graça
E com garbo, elegância e graciosidade
Habitam e enfeitam os alagados e ribeirões
E ali se refrescam com tranquilidade!
Abrindo suas grandes asas plumadas
Alçam voos rasantes com desenvoltura
Como transmitindo emoções da sua liberdade
Seu voo é soberano, independente da altura!
Suas brancas plumas parecem algodão
Tem a formosura de uma imperatriz
No reino das aves, Deus a fez linda
Como desenhada com um branco giz!
Uma bela Garça a beira do pequeno lago
É uma visão que demais nos encanta
Traduz-se em um lindo quadro pintado
Que contemplado, qualquer tristeza espanta!
Além de sua beleza natural e singela
Sua serenidade também muito fascina
Em paz, observando em volta a natureza
A necessidade da calma, assim, nos ensina!
Ali altiva e exuberante à beira do lago
Sua imagem refletida na água parece admirar
Sossegada, parecendo estar descansando
Para mais tarde, voando, pro ninho voltar!
É bela, porém é frágil como toda ave
Mas voando é colossal de se admirar
E mais lindo é quando estão voando
Centenas em revoada, parecem levitar!
No entardecer abrigam-se em seus ninhais
Também chamados de colônias de pernoite
Pousam organizadas ali aos milhares
Para descansar e passar a noite!
Com seu imponente e belo bico amarelado
Apanha pequenos peixes com delicadeza
E suas esbeltas pernas alongadas
Sustenta seu corpo com ares de nobreza!
Esta linda espécie de ave aquática
Que existe em todas as regiões brasileiras
E em várias partes do velho mundo
Porém é mais numerosa entre a fauna Pantaneira
Favorecida pela abundância de lagoas naturais
E da sua preferida alimentação pesqueira!
Vendo nos alagados estas belas garças
Penso como a natureza é abençoada
Tem os rios, riachos, campos e florestas
E por aves lindas, assim, é enfeitada
Nesta terra é pra se viver com prazer
E esta divina fauna e flora ser admirada!
AQUARELA - VI FEIRA DO LIVRO - VINÍCIUS DE MORAES E FOLCLORE MATO GROSSO DO SUL - CELFN
Vinicius de Moraes
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo
Corro o lápis em torno da mão e me dou uma luva
E se faço chover, com dois riscos tenho um guarda-chuva
Se um pinguinho de tinta cai num pedacinho azul do papel
num instante imagino uma linda gaivota a voar no céu
Vai voando, contornando a imensa curva Norte e Sul
Vou com ela viajando Havaí, Pequim ou Istambul
Pinto um barco a vela branco navegando,
é tanto céu e mar num beijo azul
Entre as nuvens vem surgindo um lindo avião rosa e grená
Tudo em volta colorindo, com suas luzes a piscar
Basta imaginar e ele está partindo, sereno e lindo
e se a gente quiser ele vai pousar
Numa folha qualquer eu desenho um navio de partida
com alguns bons amigos bebendo de bem com a vida
De uma América a outra consigo passar num segundo
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo
Um menino caminha e caminhando chega no muro
e ali logo em frente a esperar pela gente o futuro está
E o futuro é uma astronave que tentamos pilotar
Não tem tempo nem piedade nem tem hora de chegar
Sem pedir licença muda nossa vida,
depois convida a rir ou chorar
Nessa estrada não nos cabe conhecer ou ver o que virá
O fim dela ninguém sabe bem ao certo onde vai dar
Vamos todos numa linda passarela
de uma aquarela que um dia enfim
Descolorirá
Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo (que descolorirá)
e com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo (que descolorirá)
Giro um simples compasso e num círculo eu faço o mundo (e descolorirá).
A ARCA DE NOÉ - VI FEIRA DO LIVRO - VINÍCIUS DE MORAES E FOLCLORE MATO GROSSO DO SUL - CELFN
Vinicius de Moraes
Sete em cores, de repente
O arco-íris se desata
Na água límpida e contente
Do ribeirinho da mata
O sol, ao véu transparente
Da chuva de ouro e de prata
Resplandece resplendente
No céu, no chão, na cascata
E abre-se a porta da arca
Lentamente surgem francas
A alegria e as barbas brancas
Do prudente patriarca
Vendo ao longe aquela serra
E as planícies tão verdinhas
Diz Noé: que boa terra
Pra plantar as minhas vinhas
Ora vai, na porta aberta
De repente, vacilante
Surge lenta, longa e incerta
Uma tromba de elefante
E de dentro de um buraco
De uma janela aparece
Uma cara de macaco
Que espia e desaparece
"Os bosques são todos meus!"
Ruge soberbo o leão
"Também sou filho de Deus!"
Um protesta, e o tigre - "Não"
A arca desconjuntada
Parece que vai ruir
Entre os pulos da bicharada
Toda querendo sair
Afinal com muito custo
Indo em fila, aos casais
Uns com raiva, outros com susto
Vão saindo os animais
Os maiores vêm à frente
Trazendo a cabeça erguida
E os fracos, humildemente
Vêm atrás, como na vida
Longe o arco-íris se esvai
E desde que houve essa história
Quando o véu da noite cai
Erguem-se os astros em glória
Enchem o céu de seus caprichos
Em meio à noite calada
Ouve-se a fala dos bichos
Na terra repovoada.
FOLCLORE
O Romantismo na Europa foi inaugurado em Portugal, em 1825, com o poema Camões, de Almeida Garret, que por sua vez, influencia jovens brasileiros estudantes em Paris, que direcionam as letras para a valorização do nacionalismo e da liberdade, sob o lema “ Tudo pelo Brasil e para o Brasil”, colocando a cultura popular brasileira , na época, indígena, como um dos pressupostos deste nacionalismo.
L.R.A
DIALÉTICA
Vinícius de Moraes
É claro que a vida é boa
E a alegria, a única indizível emoção
É claro que te acho linda
Em ti bendigo o amor das coisas simples
É claro que te amo
E tenho tudo para ser feliz
Mas acontece que eu sou triste...
MITOS E LENDAS
Mato Grosso do Sul
Influenciados pela dinâmica das águas, os mitos e lendas pantaneiras refletem a relação que a população aprendeu a estabelecer com a paisagem.
Também conhecidos como mitos d'água, espalham-se e chegam a se confundir com a realidade.
Conheça os principais deles:
Mãe d'água
Parente da sereia, mantém o mesmo hábito de se pentear em cima de uma grande pedra. Nos dias em que o pescador não consegue pegar peixe, dizem se tratar da benção da mãe d'água sobre o anzol. Protetora dos peixes, é considerada um mito ecológico.
Negrinho d'água
Também conhecido como Caboclo d'água em outras regiões, é uma espécie de Saci-Pererê do rio, que vive fazendo travessuras com os pescadores. Andam em bandos e, no fundo dos rios, há a cidade dos negrinhos d'água. ás vezes, quando capturam um pescador, levam-no para o fundo do rio para dar-lhe surras!
Minhocão ou minhocuçu
É um grande monstro em forma de serpente, que circula pelos rios e águas do Pantanal virando canoas, devorando pescadores, levantando grandes ondas e desmoronando barrancos dos rios. As lendas dizem que não se pode reformar ou restaurar a igreja matriz pois o minhocão encontra-se preso pelos fios de cabelo de Nossa Senhora.
Fuça-fuça
Outro bicho aquático, fuça nas partes mais rasas do rio e sua face assemelha-se é de um porco. As areias agitadas sob a água são sinais de que está próximo.
Mãe do ouro
É quase como uma bola de fogo que brota da água ou da terra, indicando que há dinheiro ou ouro enterrado por perto. Por isso é que Mãe do Ouro só aparece em regiões de mineração.
Barco fantasma
Um barco que afundou na Baía de Chacororô no fim do século XIX está até hoje assombrando suas águas. Dizem que ele surge das águas, em meio as ondas e ao som do hino do Divino, misturando vozes de conversas e risos.
DESCRIÇÃO DA REGIÃO
O Pantanal é uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta e está localizado no centro da América do Sul, na bacia hidrográfica do Alto Paraguai. Sua área é de 138.183 km² área do Brasil, com 65% de seu território no estado de Mato Grosso do Sul e 35% no Mato Grosso. A região é uma planície aluvial influenciada por rios que drenam a bacia do Alto Paraguai, onde se desenvolve uma fauna e flora de rara beleza e abundância, influenciada por quatro grandes biomas: Amazônia, Cerrado, Chaco e Mata Atlântica.
Pelas suas características e importância esta área foi reconhecida pela UNESCO, no ano 2000, como Reserva da Biosfera, por ser uma das mais exuberantes e diversificadas reservas naturais da Terra.
O rio Paraguai e seus afluentes percorrem o Pantanal, formando extensas áreas inundadas que servem de abrigo para muitos peixes, como o pintado, o dourado, o pacu, e também de animais, como os jacarés, as capivaras e ariranhas, entre outras espécies. Muitos animais ameaçados de extinção em outras partes do Brasil ainda possuem populações vigorosas na região pantaneira, como o cervo-do-pantanal, a capivara, o tuiuiú e o jacaré.
Fonte: Pantanal Brasil
PELA LUZ DOS OLHOS TEUS
Vinícius de Moraes
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
GAROTA DE IPANEMA
Vinicius de Moraes
Olha que coisa mais linda, mais cheia de graça
É ela menina que vem e que passa
Num doce balanço, caminho do mar
Moça do corpo dourado, do sol de Ipanema
O seu balançado é mais que um poema
É a coisa mais linda que eu já vi passar
Ah, por que estou tão sozinho?
Ah, por que tudo é tão triste?
Ah, a beleza que existe
A beleza que não é só minha
Que também passa sozinha
Ah, se ela soubesse que quando ela passa
O mundo inteirinho se enche de graça
E fica mais lindo por causa do amor.
TERNURA
Vinicius de Moraes
Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar
[ extático da aurora].






